Mais de 20 mil servidores da Prefeitura de Maceió podem ser afetados pela crise do Banco de Brasília (BRB), que enfrenta dificuldades financeiras e risco de intervenção. Desde que a gestão do então prefeito JHC substituiu a Caixa Econômica Federal pelo BRB na administração da folha, aumentaram as preocupações entre servidores que recebem salários por meio da instituição.
Pré-candidato a governador, JHC se nega a prestar esclarecimentos sobre as operações e bastidores políticos aguardam uma operação na Prefeitura de Maceió semelhante às que ocorreram no Amapá.
A crise ganhou novo patamar após o banco não divulgar, no prazo legal, o balanço financeiro de 2025. No mercado, a avaliação é que há perdas relevantes em ativos de baixa qualidade, com estimativas que chegam a R$ 12,2 bilhões e incluem exposições ao Banco Master. A ausência do balanço acendeu alertas em órgãos reguladores e no sistema financeiro.
O cenário se agrava com a cautela do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) em conceder apoio imediato. Segundo o jornal O Globo, o fundo condiciona qualquer aporte à apresentação detalhada das perdas e à comprovação da necessidade de capital. Internamente, o BRB admite precisar de reforço bilionário e já buscou empréstimos emergenciais.
Em Maceió, o impacto potencial é direto. A prefeitura mantém contrato com o banco para gerir a folha de cerca de 26 mil servidores ativos, além de aposentados e pensionistas vinculados ao sistema.
Embora depósitos estejam protegidos até o limite previsto pelo FGC, uma eventual intervenção pode provocar atrasos operacionais, restrições temporárias e insegurança entre os servidores.
A entrada do BRB na gestão da folha municipal foi apresentada, à época, como medida de modernização e ampliação de serviços bancários.
O tema volta ao debate diante de episódios recentes. Um deles é a aplicação de cerca de R$ 117 milhões do IPREV Maceió em ativos ligados ao Banco Master, hoje associados às perdas que pressionam o BRB.