Imprensa internacional repercute tarifas de Trump contra o Brasil e chama carta com defesa a Bolsonaro de 'destemperada'
Para o The New York Times, presidente americano vê tarifas 'como um porrete que serve para todos'
Presidente dos EUA, Donald Trump, durante reunião de Gabinete na Casa Branca - Foto: ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP
A imprensa internacional repercutiu nesta quarta-feira o anúncio feito pelo presidente americano Donald Trump de que os Estados Unidos irão impor tarifas de 50% aos produtos brasileiros a partir do dia 1 de agosto. A decisão foi comunicada por meio de uma carta enviada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O documento cita, entre as justificativas para a medida, "censura" às plataformas de mídias sociais americanas, ataques do Supremo Tribunal Federal (STF) à liberdade de expressão e o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela trama golpista, classificado como uma "caça às bruxas".
Repercussão internacional sobre tarifas de Trump
Em uma matéria atualizada em tempo real, o jornal britânico "The Guardian" chamou a carta de Trump de "destemperada" e destacou que o documento destoa de anúncios anteriores de tarifas.
A emissora britânica BBC publicou que "Trump ameaça Brasil com tarifa de 50% e exige fim do julgamento de Bolsonaro" e também destacou a diferença no tom da publicação. "A mensagem para o Brasil é uma missiva muito mais direcionada e ameaça um aumento significativo do imposto de 10% que a Casa Branca tinha anunciado anteriormente".
Assim como o Guardian, a emissora CNBC destacou a diferença no tom da carta, quando comparada aos anúncios anteriores. "A carta a Lula vai mais longe do que as restantes, ao impor uma nova taxa de imposto de importação nos EUA explicitamente como punição a um país envolvido em assuntos políticos e jurídicos internos que não agradam a Trump", escreveu o canal em seu site.
"Donald Trump disse que o Brasil estaria sujeito a tarifas dos EUA de 50% sobre seus produtos, acusando o país de tratar injustamente o ex-presidente Jair Bolsonaro", escreveu, por sua vez, o jornal "Financial Times", momentos depois do anúncio. Já a Bloomberg se referiu à carta como uma "dramática intensificação" que segue as "críticas vocais do líder dos EUA às políticas externa e interna do presidente de esquerda Luiz Inácio Lula da Silva".