23/07/2021 às 11h07min - Atualizada em 23/07/2021 às 11h07min

Com aumento de 100%, valor do auxílio-alimentação de juízes de Alagoas passa de R$ 3 mil

Benefício passou de 5% para 10% do salário inicial de um magistrado, que é de R$ 30.404,42. Sindicato dos Servidores do Judiciário critica reajuste: "A injustiça, nesse caso, começa em casa".

- Roberta Batista
G1 AL
O Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ-AL) aprovou aumento de 100% no valor do auxílio-alimentação dos juízes estaduais. O benefício passou de R$ 1.520 para R$ 3.040 por mês. O documento oficializando o reajuste foi publicado nessa quarta-feira (21).

Antes dos desembargadores aprovarem o aumento, o vale-alimentação dos magistrados era equivalente a 5% do valor do salário de um juiz no início de carreira. Com a resolução, passou a ser equivalente a 10%.

Segundo o Portal da Transparência do TJ-AL, a remuneração de um juiz de direito em início de carreira é de R$ 30.404,42.

O G1 pediu posicionamento ao TJ-AL sobre o aumento de 100% no benefício para os magistrados no momento em que a população sofre com perda do poder de compra e desemprego, mas até a última a última atualização desta matéria, não havia resposta.

Na última semana, o drama da aposentada Suzete Maria da Silva, que chorou ao explicar que a renda não dava mais para comprar carne, emocionou o país. Assim como ela, milhares de brasileiros enfrentam dificuldades para manter uma alimentação regular diante do aumento de preços nos supermercados (relembre o caso no vídeo abaixo).

Críticas ao aumento aprovado para os juízes
Além do aumento ser criticado nas redes sociais, o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Alagoas publicou nota de repúdio sobre o reajuste.

"Não há sentido de justiça quando, numa mesma casa, uns esperam com o pires na mão, enquanto outros se refastelam em pratos fundos", diz trecho da nota. Leia na íntegra abaixo.

Diz o provérbio português: Justiça, para ser boa, começa em casa! De fato, não há sentido de justiça quando, numa mesma casa, uns esperam com o pires na mão, enquanto outros se refastelam em pratos fundos.

É essa a sensação, quando somos surpreendidos com a Resolução nº 09/2021, publicada ontem (20) pelo Tribunal de Justiça do Estado de Alagoas, aumentando em 100% o valor do auxílio-alimentação pago aos magistrados alagoanos. Isso, enquanto os servidores do Poder Judiciário estadual - representados por este Sindicato - travam uma longa luta pelo tratamento isonômico em relação a esse benefício e sofrem, neste momento, com descontos sobre essa verba indenizatória feitos em dias "imprensados" pelo TJ, mesmo sendo, estes, compensados com aumento de carga horária em dias subsequentes.

Muito já ouvimos, nos próprios gabinetes dos desembargadores, na luta pela sonhada equiparação, que “barriga de servidor é igual a de magistrado”, em se tratando de necessidades alimentares. Até conquistamos alguns avanços na direção desse reconhecimento. Mas enquanto esperamos que o TJ-AL aproveite a propalada economia conseguida com o trabalho em home office e a reconhecida produtividade dos seus servidores, e mova-se no sentido de fazer justiça na concretização da almejada isonomia, eis que a Resolução 09/2021 vem na contramão da nossa expectativa e faz exatamente o contrário: Amplia a vantagem de quem já está na frente e reabre uma enorme distância entre os valores do auxílio-alimentação pagos aos magistrados e aos servidores, provando que a injustiça, nesse caso, começa em casa e tem lugar à mesa.

Essa Resolução não apenas dobra o valor do auxílio-alimentação dos magistrados alagoanos – de R$ 1.500 para R$ 3.000 – como também o eleva ao patamar dos maiores valores pagos no país, junto com os do TJ de Roraima e do Amazonas.

O Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Estado de Alagoas repudia essa atitude injusta e cobra do Tribunal de Justiça que, invés de duplicar o valor do auxílio-alimentação dos magistrados, faça justiça aos servidores, concedendo a isonomia à qual temos direito - reconhecido pelo CNJ - e pela qual temos lutado há tanto tempo.

Os servidores e as servidoras do Judiciário alagoano, que aguardam resposta para esta e outras demandas, merecem uma explicação.

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